Morte Absoluta – Manoel Bandeira

A Morte Absoluta

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.

Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão – felizes! – num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.

Morrer sem deixar porventura uma alma errante…
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?

Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.

Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: “Quem foi?…”

Morrer mais completamente ainda,
– Sem deixar sequer esse nome.

Texto de: Manoel Bandeira
Recitado por: Daline Silvestre
Musica: Banda DeLira
Dirigido / Editado por: Lucas Alves

Equipamentos cedidos por Art Of Click (https://artofclick.wordpress.com/)
Apoio do Regozijo do Amor (http://regozijodoamor.com/)
Divulgação Luke-Likes.Tumblr (http://luke-likes.tumblr.com/)

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